Quando combater o racismo significava combater a exploração econômica

12/09/2019

Uma entrevista com
ERIK GELLMAN

Tradução
Giuliana Almada e Natalia Oliveira

Embora muitas vezes esquecido, o Congresso Nacional Negro forjou uma coalizão de base trabalhista liderada por negros nos Estados Unidos do New Deal, que lutou contra a supremacia branca e a exploração econômica que a sustentava.

Julho de 1946: Pessoas marchando em um protesto do Congresso Nacional Negro contra os casos de linchamento no estado da Geórgia. Washington Area | Foto por George Skadding/The LIFE Picture Collection/Getty Images)

Entrevista por
Shawn Gude

Existe hoje uma tendência de colocar raça contra classe.

Fechar o cerco em Wall Street, segundo a famosa declaração de Hillary Clinton, não acabará com o racismo. Criar um programa de empregos, como críticos de Bernie Sanders esbravejaram, não impedirá o perfilamento racial. Lutar contra a exploração econômica, afirmam os pessimistas, não abalará a fortaleza da supremacia branca.

Nada disso teria feito muito sentido para o Congresso Nacional Negro (National Negro Congress, NNC). Fundado em fevereiro de 1936, o NNC procurou construir uma coalizão antirracista de massas e enraizada no movimento trabalhista que pudesse atacar a hierarquia racial e a exploração econômica que a sustentava. Seu objetivo era nada menos do que o desmantelamento das leis de Jim Crow e a elevação dos negros americanos à cidadania de “primeira classe” — realizando os sonhos de uma democracia igualitária e inter-racial, vislumbrada pela primeira vez na era da Reconstrução dos Estados Unidos.

Resistindo a maquinações geopolíticas (que desencadearam uma cisão em 1940), o NNC teve notáveis vitórias antes de ser neutralizado pelo anticomunismo da Guerra Fria. E apesar de sua curta vida, o grupo de direitos civis tem muito a nos dizer sobre como combater a supremacia branca.

Shawn Gude, editor da Jacobin, conversou com Erik Gellman, historiador e autor de Death Blow to Jim Crow: The National Negro Congress and The Rise of Militant Civil Rights, para falar sobre a organização de massas da NNC e sua relevância para as lutas de hoje em prol de uma “Terceira Reconstrução“.


SG

O que foi o Congresso Nacional Negro e qual foi a estratégia deles para desafiar o “racismo Jim Crow” e a hierarquia racial nos EUA?

EG

O Congresso Nacional Negro foi uma organização de direitos civis que se desenvolveu a partir de uma conferência na Universidade de Howard. Esse encontro de 1935 incluiu vários intelectuais e ativistas negros proeminentes como A. Philip Randolph, John P. Davis e James Ford. A organização começou para valer com sua primeira conferência de convenções em Chicago em fevereiro de 1936. Centenas de representantes de diferentes associações se uniram para fomentar o que Richard Wright descreveu naquela reunião como uma “Declaração Negra de Direitos”. Em meio à Grande Depressão, eles procuraram conceber novos métodos de avanço racial e reviver uma linha radical do Movimento pela Liberdade Negra.

Os líderes do NNC concebiam o Congresso como uma organização de organizações. Havia muitos grupos em comunidades negras em todo o país, e eles queriam capturar toda essa energia para exercer poder como um grandioso parceiro dentro da coalizão Frente Popular que nascia no final da década de 1930.

SG

Em que sentido o NNC era diferente de outros grupos de direitos civis?

EG

Eles estavam muito mais interessados na dinâmica de classes. Eles acreditavam que o ativismo baseado na classe trabalhadora tinha mais potencial do que o capitalismo de bem-estar social ou o nacionalismo negro Garveyista dominante na década de 1920.

Outra diferença foi a atenção dada às redes anticolonialistas e antirracistas internacionais. Eles ficaram alarmados com a disseminação do fascismo pelo mundo — a invasão da Etiópia por Mussolini, a Guerra Civil Espanhola e a chegada de Hitler ao poder — e acreditavam que eram necessárias amplas coalizões para combater o fascismo em todas as formas.

Essa estratégia os diferenciava de grupos como a Associação Nacional pelo Progresso das Pessoas de Cor (National Association for the Advancement of Colored People, NAACP) ou a Urban League, que buscavam negociações mais polidas e favoreciam a abordagem do “décimo talentoso” de destacar os 10% dos afro-americanos mais estudados e da elite. O NNC queria fomentar a resistência da classe trabalhadora.

Mais especificamente, o NNC colocou organizadores negros no emergente movimento sindical industrial e  fez uma aliança com o Congresso de Organizações Industriais (Congress of Industrial Organizations, CIO) para organizar operários do ramo de aço, embalagens, tabaco, automóveis e outros. A NNC e sua ramificação sulista da juventude, o Congresso da Juventude Negra do Sul (Southern Negro Youth Congress, SNYC) também deram destaque à liderança feminina, com ativistas proeminentes como Thelma Dale (Perkins), Esther Cooper Jackson, Dorothy Burnham, Marie Richardson e muitas outras que trabalharam arduamente em campanhas culturais, políticas e econômicas, especialmente durante a Segunda Guerra Mundial.

SG

Para eles, o que conectava a exploração econômica e o racismo nos EUA?

EG

Eles viam o racismo como o principal divisor do movimento trabalhista nos Estados Unidos. O racismo não apenas impedia afro-americanos de terem sucesso e prosperidade, mas também impedia que os trabalhadores brancos se sindicalizassem e atingissem segurança econômica.

Eles também viam nascer várias oportunidades de construir um movimento mais amplo e  classista. A Frente Popular, que estava se unindo em 1935, juntou muitos grupos que lutavam por uma expansão mais progressista e radical do New Deal. Houve também um novo movimento sindical, o CIO, que defendia um sindicalismo industrial mais amplo. Na medida em que o “sindicalismo dos direitos civis” (um termo empregado por Robert Korstad) se desenvolveu, a rede do NNC foi um catalisador essencial.

O NNC também reinterpretou a história americana colocando os afro-americanos no centro e não nas margens. Eles argumentavam que os trabalhadores negros eram agentes-chave dos valores cooperativos americanos e das tradições de protesto. Nessa interpretação, eles apelaram para os escravizados rebeldes, o papel dos afro-americanos na Guerra Civil e o movimento social democrático da Reconstrução liderado por negros. Eles acreditavam que essa história de orgulho justificava seu papel central nas décadas de 1930 e 1940 nos esforços de darem um “golpe mortal em Jim Crow” como forma de legitimar e expandir a democracia americana.

Uma geração de propagandas da supremacia branca havia quase obscurecido a democracia inter-racial que existiu no sul durante a Reconstrução. O NNC tirou muitas lições desse movimento político-social e tentou aplicá-las na sua própria época, que também incluiu uma depressão, uma guerra e uma reconstrução pós-guerra.

O que eles esperavam fazer em meados da década de 1930 era empurrar o New Deal o máximo que pudessem para a esquerda, melhorar a democracia e até mesmo recriá-la, como seu aliado Langston Hughes ilustrou no famoso poema “Let American Be America Again“. Eles achavam que um governo federal ativista poderia regular o capitalismo e colocar os direitos humanos à frente dos direitos de propriedade, assegurando o funcionamento das emendas 13, 14 e 15 da Constituição para todos os cidadãos americanos.

Eles certamente não alcançaram a revolução que haviam imaginado. Entretanto, algumas partes do Segundo New Deal de meados da década de 1930, como a Lei Wagner, o órgão Resettlement Administration (Administração de reassentamento) e outras legislações e programas governamentais, foram mais progressistas do que a primeira onda do New Deal. Acho que isso resultou do movimento de grupos como o Congresso Nacional Negro de catalisar as atividades de direitos civis em todo os Estados Unidos e pressionar pela esquerda.

SG

Como era o trabalho do NNC na prática? Seu foco e tática de organização variaram bastante de comitê para comitê.

EG

Me concentrei em seis locais diferentes onde o NNC e o SNYC foram particularmente ativos durante sua existência entre 1936 e 1947. Meu livro foi o primeiro a abordar o NNC, mas não deveria ser o último. Dezenas de conselhos locais surgiram em todo os EUA, fomentando campanhas antirracistas criativas que deveriam ser mais exploradas.

Eu descobri que o NNC era diferente, por exemplo, da NAACP, que funcionava como uma organização de cima para baixo. Em alguns casos, essa organização até suspendia os estatutos dos comitês locais quando os líderes nacionais não aprovavam suas ações. O NNC, por sua vez, valorizava a criatividade na organização de base. O ativismo antirracista desenvolveu-se de forma irregular em todo o país, e os ativistas do NNC nesses locais receberam liberdade e autonomia para moverem-se em direções diferentes.

Um dos capítulos do meu livro, por exemplo, examina o movimento trabalhista do sul dos EUA, em Richmond, no fim da década de 1930. Achei fascinante que o Congresso da Juventude Negra do Sul organizou sindicatos de trabalhadores do tabaco bem antes de o CIO sequer ousar organizar os trabalhadores negros no sul. Isso me mostrou que os trabalhadores negros estavam na vanguarda da Frente Popular, que tinha grande potencial para desmantelar a segregação das leis de Jim Crow. Mas, como Ira Katznelson discute em seu livro Fear Itself, a “jaula do sul” da supremacia branca era tremenda, dificultando o potencial democrático das políticas do New Deal.

Os capítulos seguintes olham para outras dinâmicas. Meu capítulo sobre a Segunda Guerra Mundial se concentra na cidade de Nova Iorque, onde ativistas abriram caminho entre as oportunidades políticas (como a eleição de Ben Davis para o Conselho Municipal e Adam Clayton Powell para o Congresso), mas também operaram sob limitações impostas por seus aliados durante a Segunda Guerra Mundial. Naqueles anos, os sindicatos assinaram compromissos de “ausência de greve”, e os líderes do Partido Comunista disseram, e eu estou parafraseando aqui: “Não faça nada relativo à raça até que a guerra termine”. Ainda assim, o NNC, liderado por um grupo dinâmico de mulheres negras, fomentou novas formas de ativismo, política e cultura antirracistas que revigoraram o NNC para irem à luta assim que a guerra terminasse.

O último capítulo do livro mergulha na Carolina do Sul, um local muito interessante nesses anos. Entre 1945 e 1947, uma rede de esquerda de liderança  negra na região realmente acreditava que eles poderiam acabar com as leis de Jim Crow. Antes de a Guerra Fria ter se consolidado, esses ativistas possuíam um otimismo pós-guerra de que a democracia poderia ser trazida para os Estados Unidos. Eles adotaram uma perspectiva internacionalista, o que explica por que o NNC foi a primeira organização afro-americana a peticionar junto à recém-formada Organização das Nações Unidas por violações de direitos humanos.

SG

Eu achei o caso de Washington, DC realmente fascinante. Lá, o NNC atuou um pouco na organização dos trabalhadores, mas como a cidade tinha uma base industrial menor, eles também trabalharam muito em ações de violência contra a polícia. Você observa em seu livro que, em 1939, o jornal Baltimore Afro-American relatou que, após o ativismo e as petições do NNC, nenhum afro-americano fora morto pela polícia em DC no ano anterior. Isso é bem impressionante. E também ligaram a violência policial à repressão aos trabalhadores e às atividades para burlar tentativas de greve. Então, ao mesmo tempo em que combatiam a violência policial contra os afro-americanos, eles também associavam isso aos seus esforços para criar uma coalizão multirracial e trabalhista.

EG

Eles conectaram as ideias de segurança econômica e autonomia corporal, especialmente em DC, onde os bairros negros eram criteriosamente policiados e segregados, relacionaram essas questões de violência racial à insegurança econômica e promoveram uma grande coalizão que conectou a brutalidade policial ao linchamento, uma estratégia que desafiou e enfureceu Walter White, da NAACP.

Walter White concebia a campanha contra o linchamento em horizontes mais estreitos, negociando com o governo Roosevelt e limitando a luta a um potencial projeto de lei antilinchamento no Congresso, que acabou por fracassar. Já o NNC atacou o antilinchamento como parte de um quadro mais amplo, abrangendo a brutalidade policial, a peonagem por dívidas e a insegurança econômica. John P. Davis se referia a isso como o “espírito de linchamento” porque essas formas de brutalidade se entrelaçavam para manter os afro-americanos econômica e socialmente empobrecidos.

SG

Você pode falar sobre a separação do NNC em 1940?

EG

Na convenção de 1940 do NNC em Washington, John L. Lewis, então líder do CIO, falou em oposição à entrada na guerra. Lewis não era comunista, mas não queria outra guerra travada por homens da classe trabalhadora pelo que seria, segundo ele, em benefício das corporações. John P. Davis, que tinha sido o secretário executivo e arquiteto do NNC desde o início, apoiou as exigências de Lewis, só que mais numa perspectiva de influência comunista.

Para contextualizar este momento, em 1939, a União Soviética assinou um Pacto de Não Agressão com a Alemanha. Quase da noite para o dia, comunistas e alguns de seus aliados esquerdistas começam a declarar que o envolvimento em outra guerra mundial sacrificaria as pessoas da classe trabalhadora pelos objetivos imperialistas. Então a política de protestos mudou drasticamente no sentido contrário quando a Alemanha invadiu a União Soviética em junho de 1941, fazendo o que eu chamo de “incoerência ideológica”. Após a segunda volta para a Frente Popular, Davis renunciou ao cargo de presidente do NNC.

Para os esquerdistas negros durante este período de 1939-1941, foi complicado e confuso traçar um caminho à frente e manter essas maiores coalizões. Embora o presidente do NNC, A. Philip Randolph, tivesse anteriormente atacado outras pessoas por perseguições anticomunistas ao NNC, na conferência de 1940 ele já se convencera de que a organização havia se influenciado demais por seus principais aliados — o CIO (e Lewis), mas especialmente o Partido Comunista. Como líder da Irmandade dos Cabineiros de Vagões-Dormitório, filiada à Federação Americana do Trabalho (American Federation of Labor, AFL), Randolph não tinha uma aliança forte com o CIO. Ele havia sido um defensor do Partido Socialista durante  a Primeira Guerra Mundial em Nova Iorque, onde teve uma longa história de lutas sectárias com comunistas. O afastamento do antifascismo e da Frente Popular em 1932 convenceu Randolph a romper com eles. Como resultado, ele renunciou ao cargo de presidente e muitos socialistas e progressistas foram com ele. O NNC se separou em 1940.

Eu argumento, porém, que a separação não foi totalmente debilitante para nenhum dos dois grupos. Randolph e seus aliados lideraram o Movimento da Marcha em Washington, cuja principal conquista foi ameaçar fazer uma marcha de 100.000 pessoas negras em Washington. Roosevelt cedeu e emitiu a Ordem Executiva 8802, que originou o Comitê de Práticas para Empregos Justos, abrindo alguns empregos temporários durante a guerra para afro-americanos. Enquanto isso, o NNC começou a trabalhar em sua própria campanha, em paralelo à demanda de Randolph por empregos na indústria da guerra. Eles protestaram contra a discriminação em grandes fábricas de aviões em Baltimore e Los Angeles e abriram esses e outros empregos em indústrias de guerra por meio de suas próprias campanhas.

Em suma, o NNC e Randolph continuaram vigorosos após 1940, mas a tragédia dessa separação foi que nenhum grupo conseguiu construir o tipo de movimento de massas que sonhavam no final dos anos 1930.

SG

Você pode falar sobre o fim do NNC? É realmente uma história sobre o advento da Guerra Fria.

EG

Considerando a forma que a Guerra Fria tomou, ela não era inevitável. Foi apenas por volta de 1947, quando sua rede foi empurrada para a defensiva e seus aliados os abandonaram, que eles começaram a desmoronar como organização.

O governo catalogou o NNC e o SNYC como organizações da “Frente Comunista” e passou a perseguir, deportar e até prender seus membros. E os principais aliados do grupo (os comunistas e o CIO) reagiram de formas que os comprometeram ainda mais. O CIO decidiu seguir com o anticomunismo na Lei Taft-Hartley de 1947. Seu líder, Phil Murray, emitiu uma diretiva que proibia os sindicatos de trabalharem com o NNC, entre outros grupos. Como resultado, os membros do NNC foram cortados do próprio movimento sindical industrial que haviam ajudado a construir apenas dez anos antes.

E então o Partido Comunista, em vez de tentar manter uma política de coalizão como a da Frente Popular, decidiu seguir em uma direção mais sectária e colocou líderes negros primordiais na clandestinidade. Na minha opinião, essa estratégia foi contraproducente, porque comunistas com “c” minúsculo, simpatizantes e membros negros de nível médio do Partido Comunista foram expostos e traumatizados pelo Comitê Parlamentar de Atividades Antiamericanas, assim como por outros grupos anticomunistas locais.

Thelma Dale Perkins, uma líder do NNC que entrevistei para o livro, disse que um dia, em 1947, percebeu que a organização não sobreviveria. Ela carregou pessoalmente todos os registros do NNC para a biblioteca de Schomburg, no Harlem, porque sabia que seria o único lugar em que seriam protegidos, em vez de usados como evidência pelos macarthistas ou destruídos pelos próprios ativistas que trabalharam com o NNC por medo de perseguição.

SG

No geral, quais foram os sucessos e fracassos do NNC? E que lições a organização tem a dar para as lutas atuais contra o racismo e a exploração?

EG

A chave para compreender o NNC é entender que essas pessoas acreditavam que destruiriam as leis de Jim Crow em sua própria geração. Isso é importante, porque os historiadores costumam tratar os anos trinta e quarenta como o “prelúdio do Movimento dos Direitos Civis”. No entanto, esses radicais não estavam dizendo entre si: “Vamos construir a sementeira para a próxima geração que virá terminar o trabalho”.

Eles não atingiram o objetivo de destruir as leis de Jim Crow, e há muitas razões para isso, mas concluir que eles falharam seria ignorar o quanto alcançaram em sua própria época . De muitas maneiras, eles minaram as bases ideológicas da segregação de Jim Crow no Norte e no Oeste dos EUA e, em certa medida, no Sul. Eles fomentaram uma nova cultura negra militante e experimentaram formas de política de protestos em massa baseada nas ruas. Eles também ajudaram a impulsionar uma geração de trabalhadores negros sindicalizados para empregos estáveis. E sua concepção de “direitos civis”, um termo que acabava de surgir naquela época, baseada na segurança econômica e nos direitos humanos, deixou como legado um modelo importante, especialmente considerando que o movimento dos anos 1950-1960 inicialmente não priorizou esses conceitos.

E, apesar da perseguição anticomunista da Guerra Fria, mantiveram-se as conexões entre essa geração dos anos 1930-1940 e a geração de ativistas dos direitos civis que se seguiram. Como um exemplo anedótico, o SNYC no Alabama incluía Sallye Davis, cuja jovem filha, Angela Davis, cresceu nesse contexto. Essas conexões não são apenas coincidências.

O NNC também foi um grupo interessante por causa de suas tentativas de estabelecer uma organização de organizações. Procurava construir coalizões antirracistas amplas e conduzidas por negros e, ao construí-las, lutavam para que se tornassem mais militantes. Sua história é instrutiva em nossa própria época de tremenda desigualdade econômica e racial. Surgiram grupos para combater essas questões, mas talvez eles precisem trabalhar em coalizões mais amplas para alcançar seus objetivos.

No geral, acho que a era do New Deal e da Segunda Guerra Mundial foi um período realmente cultural e politicamente criativo para a política de protestos. Acho que os ativistas de hoje devem aprender com suas vitórias e com os erros que limitaram seu impacto. Assim como as pessoas no NNC viam a Reconstrução dos Estados Unidos como um período-chave, hoje podemos olhar para as políticas de protesto do fim dos anos 1930 e 40, que conversam com nossos problemas contemporâneos. A brutalidade policial, a desigualdade econômica e as ideias e políticas fascistas eram endêmicas em 1939, e são endêmicas em 2019.

Sobre o autor

é editor associado da Jacobin.