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O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de comemoração ao Dia do Soldado, no QG do exército, em Brasília. Foto de Pedro Ladeira / Folhapress

Há risco de mais um golpe militar no Brasil?

Se Jair Bolsonaro tivesse apoio interno e internacional já teria dado golpe e como periga perder em outubro, vai tentar empastelar o processo eleitoral. Para que não tenhamos um Capitólio brasileiro, precisamos estar mobilizado para derrotá-lo nas ruas e nas urnas.

Jair Bolsonaro, depois de um “período sabático” em que deixou de falar das urnas eletrônicas, voltou a ameaçar a integridade do processo eleitoral. Nas últimas semanas, atacou de novo o TSE, voltou a falar da “sala secreta” e exigiu militares no processo de apuração de novo.

Conforme outubro vai se aproximando e ele continua bem atrás de Lula nas pesquisas, Bolsonaro liga o modo desespero. Ataca, agride as instituições e ameaça com o golpe.

Visivelmente, ele usa o discurso golpista como cortina de fumaça, uma manobra de distração pra evitar a discussão dos temas que realmente importam pra maioria do povo brasileiro: inflação, desemprego, queda da renda. Mas não é apenas isso.

Não dá pra ignorar que, se Bolsonaro pudesse, se estivesse apenas nas mãos dele, ele já teria dado um autogolpe. Basta ver o 7 de Setembro do ano passado. O bolsonarismo tem um DNA autoritário, herdeiro de Silvio Frota e dos militares da chamada linha dura durante a ditadura.

Mas o Brasil de hoje não é o mesmo de 1964. Nem o cenário internacional. Hoje dificilmente um golpe teria apoio externo. O mais provável é que gerasse uma série de sanções e o isolamento do Brasil. Muito diferente de 1964, onde os Estados Unidos apoiaram o golpe do início ao fim.

Hoje é muito improvável imaginar uma situação em que o comando das Forças Armadas da ativa embarcasse numa aventura golpista do bolsonarismo. Não embarcou até agora, apesar das tentativas.

Agora, por, aparentemente, não existir o risco de golpe tradicional, com tanques nas ruas, não quer dizer que Bolsonaro não vai atuar, como já está atuando, para tumultuar o processo eleitoral, e criar um ambiente golpista. E por isso, ele fará o possível para mobilizar suas milícias políticas e seus seguidores nas polícias militares. Isso não é suficiente para dar um golpe e virar a mesa, mas é capaz de criar um tumulto no país, a exemplo do que fez Donald Trump com o episódio do Capitólio.

Resumo da ópera: é muito improvável que tenhamos um golpe militar tradicional. Mas também é muito improvável imaginarmos Bolsonaro perdendo as eleições e aceitando a derrota. Será preciso derrotá-lo nas urnas e nas ruas.

Não estamos num processo eleitoral normal. Nosso papel não será apenas no dia 2 de outubro. Essa eleição vai exigir engajamento e mobilização de todos nós. Temos 5 meses para disputar a consciência da sociedade, eleger Lula e derrotar a ameaça bolsonarista. Pra cima deles!

Sobre os autores

é professor, membro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e foi candidato à presidência nas eleições de 2018 pelo PSOL.

Cierre

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Published in América do Sul, Análise, História and Política

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