Marketing de massa, operações psicológicas militares e tecnologias cibernéticas sempre andaram juntos na história. O “caos como método” bolsonarista tem eficácia no atual estágio do capitalismo neoliberal, que dissemina incerteza e confusão em um mundo de crise permanente. Com uma narrativa antissistema ao mesmo tempo que depende do sistema para sobreviver, Bolsonaro insiste em uma auto-imagem de autoridade ao mesmo tempo que delega tudo para os outros.
Artículos publicados por: Letícia Cesarino
é antropóloga com doutorado em Berkeley e leciona na UFSC.
A proliferação de movimentos conspiracionistas de extrema direita como o QAnon é um sintoma dos últimos 40 anos de crise permanente causado pela instabilidade neoliberal. É um combo que mistura narrativas paranóicas, pânicos morais, refluxo da secularização religiosa e slogans vazios que surgem como resposta às latentes inquietações frente a falta de alternativa ao realismo capitalista que estamos submetidos.