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(Foto de Bel Gandolfo)

“A defesa de nossos mortos é também a defesa da vida”

O novo álbum do rapper nordestino socialista Don L estourou neste final do ano e já bateu mais de 5 milhões de reproduções no Spotify. Conversamos com ele sobre o processo de criação de seu novo disco, o poder da memória na construção de novos horizontes revolucionários e como reverter o estrago neoliberal e a naturalização da necropolítica no Brasil.

UMA ENTREVISTA DE

Wander Wilson e Erashto Felício

Gabriel Linhares da Rocha, mais conhecido pelo nome artístico Don L, é considerado hoje um dos nomes mais influentes do rap nacional. Seu último disco, Roteiro Pra Aïnouz, Vol. 2, lançado em 26 de novembro, já foi tocado 5 milhões de vezes só no Spotify.

Seu novo álbum ousa imaginar uma revolução socialista brasileira, em conversa direta com movimentos insurgentes e militantes revolucionários ao redor do mundo e no Brasil, como Canudos, Assata Shakur, Thomas Sankara, Vladimir Lenin, Carlos Marighella, Mao Tsé-Tung, o zapatismo, a revolução curda de rojava, entre outros.

Na esteira do sucesso do seu novo disco, os colaboradores da Jacobin Brasil Wander Wilson e Erashto Felício entrevistaram o rapper cearense para saber mais sobre como foi o processo de criação das músicas e como elas refletem a luta dos povos de hoje resgatando o legado revolucionário do passado.


WW / EF

Roteiro para Aïnouz é uma biografia em revés. Nos parece que, na transição do volume 3, de 2017, para o volume 2, você situa também uma forma de contar a história, tanto do Brasil, quanto a sua. É como se dissesse que, o que costumamos pensar como indivíduo atomizado, com escolhas que partem somente de si mesmo, está cheio de gente, de tempo, de acontecimentos, de imaginação, de efeito da publicidade em cada um. Como você vê a passagem entre estes discos?

DL

O volume 3 é um mergulho introspectivo em que a publicidade, o realismo capitalista, como teoriza Mark Fisher, começam a questionar os sonhos. Eu tenho janelas e telas e a certa altura, eu não sei se a vista é minha ou da propaganda. Eu devo estar errado, eu sou comunista e curto carros. Eu quero vencer e faço amizade com “fracassados”. Até que eu inverto o sonho e começo a questionar a propaganda, voltando a olhar pela janela dos sonhos. Precisamos voltar a ter largos horizontes, para combater as desilusões deste mundo neoliberal individualizado que vai estreitando suas possibilidades até só caber você em um quarto com um smartphone tentando vender esse mesmo micro sonho de horizonte para um milhão de outros indivíduos perdidos. Um sonho pra cada. Um número de série distribuído para cada um deles em um jogo de azar para uma realização, que eles fazem parecer um jogo em que vence o melhor. 

Tem também o gozo com a distopia, o Black Mirror, o Strange Days… É o deserto do real, e o que me sobra é cobrar os dólares, ou mudar as regras, pensar uma outra dimensão de tempo, esse tempo que não volta, mas não volta porque todo o passado está presente aqui, agora, e o futuro deveria estar também. Uma ideia de futuro, um horizonte para onde caminhar, uma utopia e um sonho coletivo, que a publicidade tenta esvaziar. A passagem do volume 3 pro volume 2 é a volta desses sonhos, um detox da publicidade neoliberal.

WW / EF

Neste sentido coletivo, como foi o processo de produção do disco?

DL

Meu processo de escrita e gravação é bem solitário geralmente, mas a partir do momento que eu tenho um rascunho e o roteiro do que eu quero, tudo é coletivo e passa por várias mãos. O núcleo dessa criação foi eu, o Nave na produção musical, o André Maleronka na direção artística, e a Marina Deeh na executiva. A gente teve oportunidade de trampar com vários produtores e beat makers, e tive alguns sonhos realizados, como ter um arranjo/produção do Daniel Ganjaman em “Primavera”, e o arranjo/produção da Mahmundi em “Trilha Pra Uma Nova Trilha”.

O primeiro passo é um beat instrumental, que podia ser um rascunho que eu fazia e mandava para o Nave concluir, um beat dele, ou um beat de outro produtor que ele também dava uma mexida, às vezes só acrescentando algo e às vezes refazendo tudo pra trazer para o nosso conceito musical. Eu sempre preciso, no início, de um beat que consiga me trazer para o cenário que eu quero pintar com as rimas. Depois eu escrevo e gravo as guias e a partir daí é lapidação, chamar músicos para retocar ou acrescentar elementos. Em seguida, preciso chamar feats pra gravar vozes. No caso desse disco, as vozes foram todas compostas por mim, melodia e escrita, por causa dessa narrativa que é muito da minha cabeça e eu não tinha tempo de trazer mais gente pra esse universo para compor junto. Então, foi mais o lance de chamar os feats que acrescentariam com a presença, com a energia, com suas vozes e seus nomes que já trazem também suas histórias.

Eu queria muito o Mateus Fazeno Rock, artista da minha cidade, na introdução do disco, mas não dava tempo de fazer essa imersão na história toda pra compor junto. Só os versos da Tasha e Tracie que não foram compostos por mim porque é verso de rap – outras ideias, você não escreve verso de rap pra rapper. E eu queria escolher alguém entre os melhores da cena do rap para participar do disco, pra eu ter essa troca e queria que fossem elas. A gente trocou muita ideia,  referências, mostrei pra elas várias músicas do disco, conversamos sobre o contexto durante meses para trazê-las pro universo do disco. 

Por fim vem a finalização com os coros, instrumentos e depois a mixagem. No final tem dezenas de pessoas trampando, e se eu pudesse teria mais. Pelas nossas condições, e pela pandemia, a participação da maioria das pessoas é mais pontual, é pegar um dia, colar no estúdio, gravar coros de várias músicas sem nem ouvir muito e depois a gente se virar com o material que tem. Mas a cada disco eu vou melhorando. No próximo quero passar mais tempo com mais gente no estúdio criando, coisa que não rolou nesse ano. Teve muitas coisas nesse sentido de produção que eu queria ter conseguido no disco anterior, mas só consegui agora, e teve muita coisa que não consegui ainda nesse e que ficarão para o próximo.

WW / EF

Suas músicas costumam apresentar um conceito de vida e morte que escapa do clichê de ser um indivíduo, no sentido de ser “indivisível”, unitário, que a morte é apenas considerada como o momento em que o corpo vai pra vala, como um episódio de uma vida descartável.

Em RPA vol2, você precisa de mais de uma morte, o que também diz sobre muitas vidas possíveis, com outro Brasil e outros mundos. Ao mesmo tempo, a morte também aparece na política capitalista e colonial, com seu rastro de extermínio e, também, naqueles que já foram e tombaram, os mortos que também carregamos nas lutas de hoje.  Poderia falar um pouco sobre as relações entre a vida e a morte em RPA 2?

DL

Em primeiro lugar, a gente não pode ter apego demasiado pela vida a que somos submetidos nesse mundo neoliberal. É uma vida de adoecimento físico e mental, de insegurança completa em relação ao futuro, da guerra do “pseudo-empreendedorismo”, do seja “seu próprio explorador e seu próprio explorado”, do cotidiano de guerra nas favelas ou do frágil cercadinho limitado e limitador dos condomínios da classe média, apartado de uma vida em comunidade, apartado de uma relação com a natureza e completamente mediada pelo consumo. Natureza da qual nós todos, coletivamente, fazemos parte inclusive. É uma vida de merda a não ser que você não tenha muito apego a ela. Eu tenho apego a minha saúde, mas não a minha vida. 

Me parece que na possibilidade de uma morte iminente, qualquer vida de merda tem um alto valor. Aí as pessoas geralmente acham que isso acontece porque a vida tem de fato esse alto valor, e pode até ter, as vezes acho que deveria dar mais valor à minha vida, mas vejo também o contrário, que a morte tem uma importância maior do que damos a ela. Que podemos, de certa forma, morrer varias vezes. Seguir o impulso pelo que você acredita como se estivesse na iminência de uma morte súbita, porque de certa forma muitos de nós estamos, e assim lutar por uma vida que a gente possa chamar de digna. Se ver múltiplo, deixar morrer coisas que foram impostas em nós e que não nos fazem bem, e tentar ser outro, viver outra vida.

Com medo de morrer a gente se acostuma com qualquer merda. A gente é violentado de todas as formas pra achar que poder comer é um privilégio. Temos medo de fazer qualquer coisa que ponha em risco uma segurança mínima, que na maioria das vezes nem é real. Ninguém está seguro, nem nossos mortos estão seguros, a gente tem que reafirmar a luta deles todos os dias. É muito doido, porque esse país convive com essa violência e as pessoas são mais ou menos acostumadas com a morte, você vê isso com a pandemia, pouca gente entrou em pânico. 

Quem mora numa área periférica muitas vezes está a um encontro com uma viatura numa hora errada, da morte, ou de trombar os caras de uma facção rival daquela que domina seu bairro, porque te viram com um amigo seu de infância que tem envolvimento. Mas já que é assim, eu acho que a gente pode usar isso pra se arriscar por coisas maiores do que sobreviver, e, inclusive, mas não apenas, coisas que só são possíveis com muita gente se arriscando junto por elas. 

Não é sobre não dar valor à vida e sair fazendo coisa estúpida que vai te colocar em risco, sem um plano, sem um método que pode inclusive ser o de não se arriscar no momento e deixar para quando valer o risco. E não é papo de coach, que vai querer pegar isso que eu disse e te vender um curso sobre alguma versão da arte da guerra adaptada para o mundo da competição e individualismo extremo do capitalismo. Estar disposto a morrer por você mesmo e renascer outro, em um nível individual, mas estar disposto a morrer pelo que acredita também, e aí é morrer mesmo, por uma outra vida, maior, e viver pra sempre na memória de lutas de um povo. O ataque aos nossos heróis mortos é um ataque à imortalidade deles, que inspiram outros. A defesa dos nossos mortos é também uma defesa da vida.

WW / EF

O disco foi lançado no mesmo dia em que Emiliano Zapata declara o plano Ayala, afirmando uma luta revolucionária por “terra e liberdade”. Pouco antes de RPA vol2 você lançou a música “na batida da procura prefeita”, colocando a questão da terra e da procura como uma trilha inacabada. No videoclipe desta música, também aparece uma camisa de futebol, pendurada em um varal, trazendo em suas costas o nome RPA 2 misturado a um grafismo indígena.  Como você pensa a relação entre estes dois trabalhos?

DL

Minha obra sempre reflete o caminho que eu estou percorrendo. O que eu sou, o que eu fui, e o que pretendo ser. Eu queria fazer uma música de celebração do amor em luta, da importância do caminho e ao mesmo tempo esse resgate do que é ser brasileiro, das nossas possibilidades bonitas, grandiosas, transcendentais. Essa ancestralidade que agora é moda celebrar, foi dizimada em luta, você tem que ter no mínimo um respeito por isso toda vez que for se valer dela.

WW / EF

Na música “Primavera” você fala deste mundo que “nos separou de nós” e também da guerra que nos aproximou. Você diria que a separação de nós está ligada a separação dos povos e da terra e que na luta anticapitalista podemos encontrar estas formas de reconexão

DL

Eu não poderia colocar melhor do que você colocou. Acho que esse é o caminho. Esse país tem terra suficiente para todo mundo e temos tecnologias de preservação milenares, que pode nos tornar líderes de uma nova era, de regeneração do planeta, de reflorestamento, de agricultura orgânica, ciência da nutrição física e mental e do bem viver. Acho que a luta por terra é a mais importante, só vem depois da luta pela memória dos que lutaram por ela.

WW / EF

O Brasil é um país brutalizado pela desigualdade social e pelo racismo, o que passa indubitavelmente pelo latifúndio. Nós nunca fizemos uma revolução que tirasse o poder desse setor tão cruel. Como você vê o vínculo dessa questão com as periferias, onde estão as pessoas que mais sofrem sem terra, sem território, e que, apesar de urgir, não parece ser muito popular nas quebradas?

DL

As pessoas seguem os sonhos da publicidade. É muita sedução com muita grana injetada. Temos que competir com essa sedução, inclusive esteticamente. Falar sobre reforma agrária, sobre o conceito de transição socialista, sobre abundância socialista, sobre bem-viver. Eu me interesso e estou aprendendo ainda sobre esses assuntos, mas eu mesmo tenho conflitos que eu coloco ali na música “Primavera”, que são desse tipo. 

A nossa sociabilidade foi comprometida por gerações de uma cultura individualista, racista, machista.  As pessoas pensam que socialismo é compartilhar miséria e não veem que isso é o capitalismo. Enquanto não aparecer uma alternativa bonita, e eu insisto, inclusive esteticamente, a publicidade vai levar vantagem.

WW / EF

O disco certamente está trazendo militantes radicais para o rap e levando o público do rap para as referências de lutas revolucionárias dos povos, como uma ponte que une duas frentes de batalha. Embora seja um movimento de resistência preta na sociedade, a cultura hip-hop tem flertado ali e acolá com valores liberais, como a ideia de ascensão pela via do consumo. Como você avalia a necessidade de aprofundar a radicalidade política do movimento para diminuir sua captura pela sedução liberal?

WW / EF

Acho que a saída está nos coletivos. As pessoas têm que entender que ninguém sozinho pode ser referência de nenhum rompimento com o sistema, e isso é um peso muito grande, um preço muito alto para um indivíduo carregar, entre seus sonhos e projetos pessoais. As pessoas representam coletivos organizados em luta política, ou elas não representam nada politicamente a não ser uma ilusão, e isso vale pra mim também. Nós artistas somos uma classe precarizada também, talvez a primeira. Nossas opções de vida sempre foram ficar rico ou levar uma vida de insegurança com o futuro, que te destrói emocionalmente. 

A gente precisa conciliar essa nossa luta com a luta coletiva. No momento que as pessoas cobrarem qualquer pessoa que se coloca com algum discurso político, de se organizar em um coletivo, a gente vai ter um começo de mudança. As igrejas têm 10% de todo o rendimento dos fiéis, e isso torna elas uma força política difícil de competir, por exemplo. Você não sai falando em nome de uma igreja sem contribuir, nem que seja financeiramente. ninguém contesta o carro do pastor, a casa bonita dele, e mesmo os casos de desvios morais que são criticados, são humanizados e contornados porque a causa é algo maior. Existe um discurso de prosperidade, onde as pessoas se ajudam a superar situações difíceis na vida. A gente precisa competir com isso como uma alternativa de prosperidade em luta, sei lá como, eu não tenho respostas prontas, mas sei que o caminho é pelos coletivos, inclusive pra responder essa pergunta.

WW / EF

A partir da publicação de Realismo capitalista, de Mark Fisher, no Brasil, foi intensificado um debate sobre “se é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o capitalismo”. Parece que no RPA vol2 você imagina os dois fins, tanto pensando o impacto da destruição capitalista na terra, quanto o fim deste sistema político-econômico como recomeço de outro mundo. 

A imaginação revolucionária deste disco parece nos dizer que parte do trabalho é também ouvir “as tecnologias ancestrais”, dos quilombos do presente e do passado, originais e originários, zapatistas, rojavas, as lutas que já ocorrem nas favelas, Cidinho e Doca, Xis, Marighella… Imaginar um mundo novo parte também deste exercício de ouvir as lutas do passado e o que já está acontecendo no presente?

DL

Sem dúvida. E materializar essa imaginação em arte é uma das coisas que acho importantes.

WW / EF

Ao produzir o disco com tantas referências de luta e dizendo que é “mais guerrilheiro do que MC”, você acaba oferecendo um material de trabalho para difusão de ideias radicais e rebeldes no Brasil. No processo de produção você manteve contato, dialogou ou se inspirou em organizações políticas vigentes em nosso país hoje? Pode falar sobre isto?

DL

Eu ainda não estou organizado em um coletivo, estou procurando. Mas acompanho e mantenho contato com pessoas de alguns, como os amigos do Minervino, a galera dos Entregadores antifascistas encabeçado pelo Galo que é amigo de amigos meus do rap, gente do PCB e do PCdoB, coletivos de povos indígenas, a galera da Teia dos Povos e até uma galera mais radical do PSOL.

WW / EF

O confronto com a polícia, delegacias em chamas, abertura das prisões… Estas são imagens recorrentes ilustradas no disco. Pensando também que muitos dos povos mencionados no disco nunca tiveram uma força de policiamento, separada do corpo social, como você vê esta instituição que o capitalismo chama de “força de segurança”? Poderíamos pensar no RPA vol2 como parte das lutas que vem ecoando entre lugares, como Brasil e Minneapolis, para afirmar e pensar a abolição da polícia e das prisões?

DL

Sim, e é uma das coisas que precisam ser melhor explicadas para as pessoas. É outro daqueles casos de bombardeamento de ideias mantenedoras da ordem e do controle social dos oprimidos, o que nesse caso leva ao encarceramento em massa. Todos os dias eles têm o Datena e dezenas de outros programas policiais, elegendo políticos, e hoje em dia eles tem o próprio presidente da república. 

Eles ficam usando e reverberando ao máximo os casos de pessoas que foram destruídas por uma sociabilidade a qual foram submetidas a força, e ficam com esse discurso de dizer que se você é contra a desumanização completa dessas pessoas, leve o bandido pra casa. A gente tem que mandá-los levarem os policiais da linha de frente pra casa também, que são pessoas doentes, violentas com suas esposas e filhos, com famílias desestruturadas, de difícil convivência. Tem que mandá-los levarem os milicianos para casa deles.  Eles não querem essas pessoas na casa deles, no círculo social deles, só querem que elas trabalhem para eles. 

A gente teve governos de esquerda que contribuíram e contribuem com isso. Romper com essa ideologia da “segurança” é uma das coisas mais importantes que precisa ser difundida. Inclusive para os próprios policiais e militares que vem da classe trabalhadora e deveriam estar do outro lado da guerra. Tinha um policial que sempre me mandava mensagem dizendo ser meu fã, e que fazia parte da corporação, mas não concordava, que queria sair. Um dia desse ele mandou uma mensagem feliz, dizendo que conseguiu outro emprego.

WW / EF

Ouvindo os dois primeiros discos da trilogia RPA, ficamos com a sensação de que, à medida que você regressa à sua história, você se torna mais radical desde uma perspectiva revolucionária. A sugestão que fica é que uma reinterpretação da história do Brasil nos colocaria diante de uma inevitável tarefa de fazer a revolução. Como tem sido o estudo destas referências que você tem citado?

DL

Eu realmente não acredito que possamos mudar o Brasil sem esse rompimento violento com a ordem burguesa, que não vai deixar isso acontecer facilmente. Olha o que eles fizeram com o Lula, um cara de centro, que nunca os ameaçou de fato. Eu me interesso por estudar e contribuir com a construção do caminho pra isso, mas também não tenho respostas prontas. É um longo caminho para uma revolução, e depois um longo caminho de transição e defesa da revolução. Ao mesmo tempo, a gente quer viver algo digno de se chamar de vida. Esses são meus caminhos, minhas contradições, minha busca, e ela vai sempre estar na minha obra.

WW / EF

A imaginação revolucionária presente em RPA2 narra o processo de tomada da cidade, com disciplina, sapatinho, prazer, guerra, e, mesmo que aponte um momento final, o disco encerra com “trilha para uma nova trilha”, mantendo uma abertura no processo. Podemos dizer, pensando com o disco, que a revolução não se encerra nela mesma, e sim abre novos caminhos?

DL

Exato, o importante é para onde apontamos e depois a defesa do caminho. Não é da noite para o dia, mas a gente quer construir uma prosperidade comum, com alimentação saudável acessível, cidades bonitas, espaços de convivência bonitos, roupas bonitas, acesso a uma tecnologia libertadora e não aprisionante, e queremos diversão e arte… Por muito menos a maioria do povo nos grandes centros urbanos brasileiros já vive uma guerra. É questão de calibrar as bússolas.

Sobre os autores

é um rapper e compositor brasileiro, considerado um dos nomes mais influentes do rap nacional na atualidade.

é antropólogo e pesquisador. Trabalha como acolhedor, redutor de danos e professor de cursos de extensão no PROAD - UNIFESP e faz parte do coletivo que organiza a FLIPEI.

é professor de educação básica no IFBA (Valença-BA) e mestre em história pela UFBA.

Cierre

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Published in América do Sul, Arte, Cultura, Entrevista and Música

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