Documentos revelam como a maior federação sindical dos EUA interferiu na Venezuela

18/09/2020

Por
Tim Gill

Tradução
Marianna Braghini

O Centro de Solidariedade da AFL-CIO tem uma longa história de trabalho junto ao governo dos EUA para enfraquecer democracias e movimentos trabalhistas de esquerda ao redor do mundo. A entidade enfatiza que se afastou destas táticas de Guerra Fria, mas documentos obtidos recentemente mostram que ela atuou para enfraquecer o governo venezuelano nas últimas décadas.

O presidente Hugo Chávez se dirige a seus partidários durante uma grande manifestação convocada como demonstração de força para conter uma greve liderada pela oposição que atingiu a indústria de petróleo do país, em 7 de dezembro de 2002 em Caracas, Venezuela. A greve aconteceu após a tentativa fracassada de golpe da oposição contra o presidente no início daquele ano, com apoio dos EUA. (Miraflores / Getty Images)

Durante a Guerra Fria, o principal objetivo dos EUA era derrotar o comunismo. Para ter êxito, era fundamental se equiparar e derrotar a influência soviética ao redor do mundo. Em muitos lugares, entretanto, movimentos comunistas e socialistas se desenvolveram não como movimentos fantoches de Moscou, mas organicamente – em especial organizações estudantis, trabalhistas e camponesas.

Como resposta, os EUA atuaram em múltiplos fronts, geralmente de forma clandestina, para impedir a ascensão de movimentos de esquerda, sem preocupação com a democracia ou direitos humanos. Uma parte fundamental deste esforço incluía confrontar e marginalizar grupos trabalhistas de esquerda.

Em boa parte do mundo, a Federação Americana do Trabalho e Congresso das Organizações Industriais (AFL-CIO) agiu como um braço internacional da política externa dos EUA, antes e durante a Guerra Fria. Ao fazê-lo, a AFL-CIO buscou enfraquecer grupos de tendências de esquerda ou comunistas, sindicatos e governos – sem se preocuparem com democracia e frequentemente sem escrúpulos no uso ou apoio de brutal violência – na Itália e França nos anos 1940, Guatemala nos anos 1950, Brasil nos anos 1960, Chile nos anos 1970 e muitos outros países.

A federação sindical também se aliou a autoritárias ditaduras de direita, que apoiavam os esforços de política externa anticomunista dos EUA, ao financiar ou trabalhar junto à grupos alinhados com esses regimes. Kim Scipes e William Robinson, por exemplo, forneceram, cada um, um relato detalhado de como a AFL-CIO se alinhou a grupos trabalhistas ligados à ditadura de Marcos nas Filipinas durante os anos 1970 e 1980, um regime que regularmente reprimia, assassinava e desaparecia com sindicalistas e ativistas.

Com a criação do National Endowment for Democracy (NED) [Apoio Nacional Para Democracia] em 1983, a AFL-CIO começou a trabalhar alinhada com esta nova agência semi-governamental com o objetivo de avançar nos interesses da política externa estadunidense sob a tutela da “promoção da democracia”. Atualmente, a AFL-CIO manteve esta parceria e “promoveu democracia” por meio do Centro de Solidariedade (CS), antes conhecido como Center for International Labor Solidarity [Centro Americano de Solidariedade Internacional do Trabalho].

Em seu portal, o CS se descreve seu trabalho como “empoderando trabalhadores para levantarem suas vozes para dignidade no trabalho, justiça em suas comunidades e mais igualdade na economia global”. Nos anos recentes, a AFL-CIO explicitamente buscou se livrar de sua imagem de combatente da Guerra Fria e se apresentar apenas como interessada na promoção apartidária de direitos trabalhistas. Em particular, o ex-presidente John Sweeney, que foi eleito líder da AFL-CIO em 1995, como parte de uma nova proposta na federação, “forçou os mais notórios combatentes da Guerra Fria a se aposentarem”, e no início de sua presidência, “viu no neoliberalismo desimpedido uma maior ameaça aos trabalhadores estadunidenses do que o ‘comunismo’”.

Mas apesar dessas invocações, a AFL-CIO, por meio do CS, continuou a confrontar governos de esquerda no exterior, ao financiar e apoiar grupos opositores à Hugo Chávez e Nicolás Maduro na Venezuela e seus aliados do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

A AFL-CIO argumenta que opera de forma independente do establishment da política externa dos EUA. Mas documentos sobre suas recentes atividades da federação venezuelana, obtidos por meio de requerimentos ao Freedom Information Act (FOIA) [Lei Liberdade de Informação] indicam o contrário. Os documentos sugerem que mesmo com quaisquer mudanças que tenham ocorrido na AFL-CIO desde o fim da Guerra Fria, nos anos recentes, a federação não desistiu totalmente de tentar enfraquecer os mesmos governos que as autoridades dos EUA também se opõem – sem considerar se estes governos realmente respeitam direitos trabalhistas.

Trabalhando junto à golpistas

Muitos intelectuais detalharam como o CS fornece apoio considerável a Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV), uma confederação trabalhista historicamente afiliada ao partido Acción Democrática, de oposição ao governo Chávez. Em 2001 e 2002, o CS garantiu financiamento a CTV, que planejava protestos contra o governo Chávez, pensados para induzir um golpe militar. Em abril de 2002, líderes da CTV marcharam junto com líderes da comunidade empresarial, encabeçadas pela Federação de Câmaras e Associações de Comércio e Produção da Venezuela (Fedecámaras), com políticos da oposição e realizaram atividades para clamar pelo fim do governo chavista.

Apesar de um grupo de membros do exército deter Chávez por quase dois dias, protestos massivos com participação dos pobres e trabalhadores venezuelanos e uma desunião interna entre os arquitetos do golpe, anularam esta tentativa. Por quase toda duração do governo interino, líderes da CTV demandaram a remoção de Chávez. Nos anos seguintes ao golpe, a AFL-CIO seguiu trabalhando com a CTV – tudo com financiamento do NED, o mesmo grupo que financiou a intromissão da AFLC-CIO nos anos 1980 na Guerra Fria. Eva Golinger, detalhou estas relações em seu trabalho sobre como o golpe contra Chávez seguiu com planejamento e coordenação do líder da CTV, Carlos Ortega.

Após o fracasso do golpe, a CTV – novamente com a Fedecámaras – se engajou em um locaute na indústria de petróleo. Isso efetivamente paralisou o país, que é integralmente dependente de energia fóssil para manter sua economia e para angariar moeda estrangeira para importações. Trabalhadores opostos a estes esforços e ao sentimento ampliado anti-Chávez sendo impulsionado no país, formaram uma nova federação sindical com apoio do governo: a Unión Nacional de Trabajadores da Venezuela. Em boa medida, neutralizaram a capacidade da CTV de enfraquecer o governo Chávez, especialmente no setor de trabalho formal.

Ainda assim, a AFL-CIO seguiu apoiando os esforços da CTV em confrontar o governo venezuelano. Segundo documentos recentemente revelados recolhidos a partir de um requerimento via FOIA, fica claro que o CS continuou a desafiar o governo de Chávez e buscou ativamente enfraquecer os esforços trabalhistas praticados pelos socialistas – como recentemente em 2014.

Nestes documentos, o CS retrata o governo Chávez como um regime brutalmente autoritário que limitava liberdade de expressão e acabou com atividades opositoras. Em muitas das descrições do programa, o CS afirma que “o governo [Chávez] aumentou medidas para limitar atividades da oposição política, restringiu a liberdade de expressão e aumentou controle sobre organização e participação popular”. Ainda assim, o CS parece ter reconhecido a realidade de que Chávez de fato tinha muito apoio, escrevendo que ele “comanda tamanho controle sobre as instituições do país precisamente devido à sua mensagem conectada ao profundo ressentimento dos pobres e trabalhadores marginalizados do país”.

Sob o governo Chávez, membros da oposição, que rotineiramente difamam e condenam ele e sua visão de socialismo entre múltiplos meios de comunicação, continuaram a participar de eleições e ganhar algumas (isto é, quando eles realmente decidiram participar das eleições em vez de boicotá-las).

Por exemplo, apesar da oposição ter se retirado das eleições legislativas de 2005 em uma tentativa de demonstrar como o governo de Chávez era autoritário – uma movimentação inclusive desencorajada por diversos funcionários públicos dos EUA – as eleições ocorreram com observadores internacionais garantindo que fossem livres e justas.

Ainda assim, o CS em sua relatoria durante o período, descreve o governo Chávez como um que frauda votos e sistematicamente destrói qualquer movimento oposicionista, escrevendo que “a presença de partidos da oposição foi completamente eliminada na Assembleia Nacional”, e afirmando em uma nota de rodapé que “partidos de oposição se retiraram das eleições parlamentares… Devido às condições injustas da eleição”. Entretanto, posteriormente, nas eleições legislativas de 2010, quando a oposição optou por participar, ganhou 65 das 165 cadeiras. Em resposta as questões acerca destes documentos, o CS disse o seguinte:

Estamos desapontados que, para se enquadrar em suas suposições pré-estabelecidas, você ignorou informações explícitas do programa acerca de nosso trabalho com uma ampla coalisão de sindicatos politicamente diversos, acadêmicos, organizações de direitos humanos e outros grupos da sociedade civil que convencionaram responder as notórias violações de direitos trabalhistas no país. Este é o trabalho fundamental do movimento global sindical e central para nosso trabalho em todos lugares.

Justificativas claramente erradas

Como a AFL-CIO especificamente confrontou socialistas venezuelanos nos anos recentes?

Durante o período de 2006-2014, pelo qual eu recebi documentos da NED detalhando as atividades do CS na Venezuela, ficou claro que o CS buscou combater dois esforços do governo Chávez: as cooperativas trabalhistas e o movimento em direção aos conselhos de trabalhadores

Da perspectiva do CS, estes movimentos foram feitos para deslocar o poder dos sindicatos tradicionais, como a CTV, e exercer controle sobre o trabalho de uma maneira de-cima-para-baixo. Por exemplo, o CS afirma que os conselhos foram “feitos para ‘empoderar’… Mas na verdade estão ligados ao governo e partidos políticos”. Os conselhos eram geralmente ligados ao PSUV, mas é difícil entender o porquê de o CS decidir que isso significava que devesse apoiar os esforços da oposição.

Muito destas informações apresentadas dentro das descrições de programas do CS permanecem repletas de imprecisões. Em particular, a lógica que o levou a se envolver no país é, logo de início, justificada com informações plenamente falsas.

O grupo, por exemplo, se refere à legislação intitulada “Lei da Participação Popular” alegando que somente membros do partido PSUV ou apoiadores socialistas possam participar e fundar conselhos comunitários pelo país. Durante anos, documentos do CS reportam que como “definido na Lei de Participação Popular, conselhos comunitários não podem ser formados por participantes ou os incluir em assembleias gerais que não sejam membros do Partido Socialista Unido da Venezuela, ou que não sejam ‘membros conhecidos’ do ‘Socialismo do Século XX’”. Também alega que a legislação trabalhista foi modelada a partir desta lei – permitindo que apenas membros do PSUV possam formar conselhos de trabalhadores.

Há alguns problemas com isso. Primeiro, a Venezuela nunca viu a introdução de nenhuma lei intitulada “Lei de Participação Popular.”

É possível que o grupo esteja fazendo referência a Lei dos Conselhos Comunitários, que formalizou a existência dos conselhos comunitários de bairros. Chávez via os conselhos como o motor da democracia venezuelana, onde os membros da comunidade poderiam propor projetos, discutir os esforços da comunidade e requisitar financiamento do Estado.

Em segundo lugar, o CS alega que apenas membros do PSUV ou apoiadores conhecidos do socialismo podem participar dos conselhos comunitários. Isso é absolutamente falso.

Como mostrou o trabalho de Gabriel Hetland, apoiadores da oposição rotineiramente formaram conselhos comunitários em áreas onde a oposição mantinha apoio, e eles, assim como os chavistas, reconheceram a importância destes grupos. Se Maduro abandonar o cargo na Venezuela em algum momento próximo, especula-se que os conselhos comunitários irão evaporar.

Os relatórios do CS revelam que seus esforços eram direcionados à organizar conferências e oficinas em que pudessem treinar indivíduos para desafiar diretamente atividades propostas pelo governo Chávez. No relatório de 2012-13, por exemplo, o CS descreve como o grupo “irá apoiar os esforços dos sindicatos industriais para resistirem a imposição de organização num ambiente antidemocrático”. Dentro de suas oficinas de treinamento, eles se comprometem a ajudar indivíduos confrontarem “a imposição dos ‘conselhos de trabalhadores’ acusados de usurpar as funções representativas e subjugando trabalhadores a estruturas organizacionais politizadas e antidemocráticas”.

Especificamente, o grupo descreve como suas oficinas iriam ajudar a “coordenar ações de resistência pactuadas” ao movimento do governo diante os conselhos de trabalhadores e cooperativas, bem como ajudando a levantar “conscientização destes problemas entre os membros, montando estratégias de defesas legais… construindo coalizões entre sindicatos e a sociedade civil onde for possível, advogando por políticas para líderes no governo e na Assembleia Nacional, e construindo um apoio da comunidade ampliada”.

Ao elaborar e organizar oficinas e conferências, o CS levou oposicionistas venezuelanos em treinamento por todo o país para eventos financiados e organizados com dinheiro público dos EUA. Eles também financiaram consultores legais e técnicos, em alguns casos, que ajudaram seus aliados no confronto com o governo Chávez.

Em particular, seus programas focavam em trabalhadores do setor formal, incluindo a indústria de petróleo, mineração e manufatura de metais, além de apoiar jornalistas. Eles também financiaram a “manutenção e melhoria” do portal de recrutamento para venezuelanos interessados em atuar contra esforços do governo Chávez e “permitir uma discussão contínua e disseminar informações em como defender direitos básicos trabalhistas e reformas na legislação.”

Em coordenação com seus aliados no país, o CS proveu infraestrutura para juntar aliados locais pela Venezuela com o objetivo de conceber e implementar estratégias de combate ao movimento chavista em direção aos conselhos de trabalhadores e cooperativas. Com financiamento público, o CS “organizou, garantiu o aluguel de estabelecimentos e forneceu suprimentos para o treinamento e transporte dos participantes de Caracas e áreas vizinhas, bem como custos de viagem e diárias para participantes de outras partes da Venezuela.”

Enquanto o CS seguiu trabalhando com a CTV, eles também começaram a trabalhar com o Movimiento Solidaridad Laboral (MSL), formado em 2009, como um aparente grupo trabalhista apartidário oposto às políticas trabalhistas de Chávez e desprovido de qualquer bagagem antichavista associada a CTV e a Fedecámaras. Embora o CS tenha eliminado a maioria dos locais onde seus integrantes estavam listados nos documentos, falharam em se retirar de todas as localidades, confirmando seu trabalho com o MSL em uma área onde esqueceram de eliminar seu nome.

Em seu programa de 2010, o CS afirma sem rodeios que ajudou a formar o corpo diretor, que foi “lançado em uma conferência nacional apoiada pelo CS em julho de 2009”, e que isso iria continuar a ajudar o grupo no “desenvolvimento de… sua plataforma de direitos trabalhistas”.

Ainda assim, enquanto esforçava-se para aparecer como um grupo apartidário, muitas de suas figuras principais, incluindo Rodrigo Penso e Froilán Barrios, antes tinham posições na CTV e ainda eram formalmente filiados. Seu líder nacional e porta-voz, Orlando Chirino, foi recentemente demitido de sua posição na companhia estatal venezuelana de petróleo e se tornou um oponente do presidente Chávez pela esquerda, inclusive concorrendo contra ele na eleição presidencial de 2012.

Após esta formação, o CS parece ter continuado a financiar encontros e sessões de treinamento do MSL, bem como conferências nas quais eles planejavam suas abordagens de combate as políticas trabalhistas de Chávez. O maior esforço do grupo incluiu uma marcha com a CTV contra o governo Chávez em 2011. Essa estratégia foi discutida, desenvolvida e planejada nas conferências do CS que a pensou em favor destes grupos? O propósito explícito dos eventos do CS eram auxiliar estas organizações para “coordenarem ações de resistência unitária” contra o governo Chávez.

Embora o CS tenha permanecido exuberante frente ao grupo em seu início, a organização parece ter se esgotado em poucos anos após sua formação e logo depois da marcha de 2011 junto com a CTV, com pouca presença de público. Isso não é uma surpresa dado que o líder da organização, Orlando Chirino, buscou competir contra Chávez nas eleições presidenciais de 2012 sob o partido Socialismo y Libertad.

Com a aparente dissolução do MSL, parece que o braço internacional da AFL-CIO continuou seu trabalho com a CTV e frações do movimento trabalhista expressamente opostas à Chávez e atualmente, Maduro. Como mostram documentos, para além das ações em 2011, o CS continuou a condenar políticas do governo venezuelano e mobiliza seus esforços com um grande grupo trabalhista anti-Chávez.

O CS respondeu dizendo que eles formam uma “ampla coalisão de sindicatos politicamente diversos, acadêmicos, organizações de direitos humanos e outros grupos da sociedade civil que convencionaram responder as notórias violações de direitos trabalhistas no país”. Entretanto, eles não responderam diretamente acerca do conteúdo de qualquer um dos documentos liberados.

Mais do mesmo

No final das contas, embora a AFLC-CIO tenha buscado se reinventar no mundo pós Guerra Fria, parece que muito deste trabalho permanece similar aos seus esforços durante a Guerra Fria. Desde o início do governo Chávez e no passado recente, o grupo trabalhou com atores claramente da oposição. De sua parte, a CTV continuou a trabalhar para afastar Chávez por vias democráticas e antidemocráticas – tanto apoiando um golpe de Estado e atuando politicamente após seu fracasso, bem como trabalhando com políticos da oposição para derrotar Chávez, com o candidato presidencial, Manuel Rosales, em 2006.

Os EUA atuaram por diferentes ângulos em suas tentativas, por duas décadas, para ganharem dos governos Chávez e, atualmente, Maduro. Isso incluiu o apoio de políticos e ONGs da oposição, apoio a bandas de rock anti-Chávez, a grupos patronais e grupos trabalhistas opostos a Chávez – até mesmo uma operação arruinada envolvendo mercenários privados.

Apesar desta abordagem multifacetada, entretanto, os EUA ainda não conseguiram derrubar o líder da Venezuela. Entre as dificuldades econômicas e agressões crescentes vindas dos EUA sob o governo Trump, o governo Maduro certamente tem ficado mais autoritário. Mas muito antes de Maduro assumir o cargo, e como o chavismo ganhou eleições sucessivamente, autoridades dos EUA sob governos republicanos e democratas buscaram derrubar o governo democraticamente eleito de Hugo Chávez – outra confirmação que o interesse dos EUA na democracia venezuelana permanece subordinado a interesses geopolíticos dos EUA acima de outros interesses.

O CS permanece como o braço da política externa da AFL-CIO e historicamente tem exercido um papel regressivo em muitos países ao redor do mundo, atuando junto à política externa dos EUA contra políticas democráticas e movimentos trabalhistas. O grupo permanece consciente de sua imagem na Guerra Fria e muitos de seus líderes recentes afirmaram que tal intromissão nefasta tinha encerrado. Barbara Shailor, diretora de assuntos estrangeiros da AFL-CIO, por exemplo, disse ao The Nation em 2003, “não vamos ignorar questões acerca do passado, mas realmente estamos focados no que fazemos no presente”.

Os documentos que obtive indicam que isso está longe de ser verdade. O CS continua a intervir em países para impedir, por exemplo, medidas socialistas na Venezuela, incluindo o uso de cooperativas trabalhistas e conselhos de trabalhadores, na última década. Assim como autoridades dos EUA trabalharam para solapar líderes da esquerda em Honduras e Bolívia, podemos ter certeza de que o CS também trabalhou com atores que, também, buscam afastar seus governos.

Sobre os autores

é professor de sociologia na Universidade da Carolina do Norte.

Sobre o autor

Tim Gill é professor de sociologia na Universidade da Carolina do Norte.

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